
“E um silêncio talhado
para o voo de um moscardo”
Eugénio de Andrade, “Paisagem”
vimos tudo o que se passou
como talhou
o silêncio à lâmina precisa
de voos de moscardos
empalideceu o céu picou-o
em milhões de pedras
que choveram sobre a areia
vagas de assalto de gafanhotos
a mastigarem a terra
vimos como deu às águas
a essência do sangue
vimo-lo na face de todas as pragas
até que encheu de vazio
a herança do Faraó
então vimos como talhou
o fundo do mar para a marcha
e nós passámos inteiros
Rui Miguel Duarte26/06/11

Quero agradecer pela neblina da manhã,
pelos aromas, sons e cores
o equílibrio dos cinco sentidos
a harmonia natural dos quatro elementos
pelo sabor da vida
a montanha, o rio e a árvore
o perfume e sons da noite
a luz sobre o esquecido
pela hora suspensa do entardecer
as mensagens ocultas
o sangue da terra
os contrastes
e, pela doce despedida do dia
Por: Assunção Sampaio14 de Junho de 2011

caminho
por uma moral de anjos
descalço
com o peso de um momento
absolutamente
imprevisto
e diante de mim as palavras
com que me abraças
levantando-me
do chão
sem culpa
nem juízos
(mar) 16/06/11
O tempo marca minha face,
mas o teu rosto, o teu rosto
eu não esqueço
Ao te contemplar,
começo por apreender
o segredo.
Sou transformada pelo Teu desejo
és Tu o maior dos apaixonados
Julia Lemos